Um Novo Tempo

O Covid-19 já mudou o nosso mundo. Quando emergirmos desse isolamento, tenha sido total ou parcial, estaremos diferentes individual e coletivamente. É preciso admitir que somos seres de hábitos: isso faz parte de nosso desenvolvimento como espécie, pois o cérebro é o órgão que mais gasta energia — e é responsável por cerca de 30% de todo o gasto calórico do organismo.

Ter hábitos libera nossa mente para outros pensamentos como encontrar soluções no trabalho, conversar com amigos, aprender. Então não costumamos mudar hábitos com frequência…. a não ser que algo impactante aconteça. Pode ser uma doença com potencial de matar, a perda de alguém próximo e muito querido, o término de uma relação importante, a perda do emprego, mas qualquer dessas situações tem que se bruscas, inesperadas e quebrar nossa maneira normal de viver.

É o que aconteceu com a chegada do Covid-19: nosso modo de vida mudou bruscamente, nossa saúde e de pessoas queridas está ameaçada, e nem sabemos direito como estará nossa saúde financeira após a pandemia. Mais importante para essa transformação global: isolados em casa, tivemos tempo para pensar, avaliar, refletirmos sobre como levávamos nossa vida.

Na história, houve muitos momentos de ruptura que geraram grandes transformações positivas. Mas, só se percebe essa evolução muito depois das crises terem sido superadas. Acredita-se que a peste negra, que assolou a Europa por volta do ano 1350, desestabilizou o Feudalismo como sistema econômico e levou ao Renascimento, que buscava respostas científicas quando as religiosas que predominavam até então não mais satisfaziam.

Há muitos pesquisadores, futuristas e institutos de pesquisa fazendo previsões sobre como será o nosso futuro, desde consumo mais consciente, reconfiguração dos espaços de comércio, mudanças em como as pessoas usarão os espaços públicos, home office mais abrangente (o que, por si só é uma mudança no ambiente de trabalho e em como pessoas interagem), cada vez mais pessoas usando educação a distância, e muito mais.

Essas alterações serão visíveis a médio e longo prazo, e estarão presentes no que chamamos na Programação Neurolinguística de nível de comportamento e ambiente. Mas os níveis que realmente geram mudanças significativas são mais profundos, envolvem os nossos valores, visões, expectativas e modelos de mundo diversos.

Na década de 60, o Dr. Clarence Graves fez uma pesquisa envolvendo fatores históricos, filosóficos e antropológicos, e chegou a um modelo de desenvolvimento humano que pressupõe que cada um de nós atua em um ‘modo de ser’ baseado nas condições de vida e nas respostas que damos a essas condições. Como esse modelo é estruturado em forma de espiral, podemos ter praticamente infinitos modos de ser, podemos evoluir também infinitamente, conforme as condições de vida se alteram e colocam em xeque nossos sistemas de pensamento, crenças, valores e hábitos anteriores.

O que mais chama a atenção nesse modelo — que chamamos de Espiral Dinâmica — é que existe um nível a partir do qual passamos a ter um olhar mais sistêmico. Começamos a perceber que estamos inseridos em um sistema, que existe influência do sistema como um todo em nós, existe a nossa influência no sistema e existe a influência mútua entre todas as partes que compõe esse sistema. Chamamos isso de segunda camada, como se fosse realmente uma camada de pensamento mais profunda e sistêmica.

E dentro das características dessas pessoas, está a aceitação do papel de cada um no grande sistema que é o planeta. Segundo Don Beck e Chris Cowan, que continuaram o trabalho de Graves, essa camada da Espiral Dinâmica surge, de maneira mensurável, logo depois da 2ª Guerra Mundial, com a percepção de que o mundo poderia acabar se não fizéssemos algo e que todos afetam de alguma maneira todos.

Mas, apesar do surgimento desses novos ‘modos de ser’ sistêmicos, a maioria das pessoas continua, ainda hoje, transitando em ‘modos de ser’ mais voltados para a busca do controle do ambiente a sua volta, orientado para dados, pesquisas, probabilidades e, principalmente, resultados que tragam vantagens.

Outra parcela significativa das pessoas é voltada para comunidades, disposto ao sacrifício de si mesmo em prol do grupo, compartilha ideias e sentimentos, quer as soluções de consenso entre todo grupo. E as pessoas se misturam com as organizações, ou seja, um tipo de organização que seja comunitária pode estar cheia de pessoas voltadas a buscar o controle para si. A grande diferença desses ‘modos de ser’ para os sistêmicos é que enquanto esses ainda têm o lado dicotômico (nós contra eles), o ‘modo se ser’ sistêmico abraça a existência de todos os outros como parte importante do sistema.

Mas o mundo já mudou, e um novo ‘modo de ser’ é necessário. Fomos confrontados pelo sistema (e por uma doença), mostrando que o que acontece no outro lado do mundo, em uma feira de rua, pode sim nos afetar. E que não existe uma única maneira ou resposta para lidar com a pandemia, que existem várias táticas que podem funcionar juntas ou separadas, que temos que abrir mão de algumas coisas para preservar outras, que temos que pensar no todo — porque esse todo pode ser nossos avós ou entes queridos –, que estamos todos conectados através das mídias, que podemos estar longe mas ainda assim estamos perto.

Parte de nós que já estava nesse ‘modo de ser’ sistêmico impulsionará agora aqueles que estavam preparados para essa transição. Isso já iria acontecer de maneira gradual, é a natureza humana de evolução. A única diferença é que aquilo que estamos temendo, a pandemia, a crise econômica prevista, vai nos levar à superação, aprendizagem e, por fim, para um novo tempo. 😉

Aproveite e aprecie a música abaixo, que passa uma mensagem que tem tudo a ver com o assunto abordado. Confira os créditos completos na descrição do vídeo.

Site Footer

Sliding Sidebar

ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.