Você se cobra muito?

Se tem uma frase clichê sobre as mudanças do mundo é que tudo está acontecendo muito depressa. Uma dessas mudanças é que estamos tendo acesso a informações, experiências e opções de vida que antes nem pensávamos ser possível: todas as pessoas postam seus melhores momentos, sempre perfeitos, dando aquela impressão que é fácil ter lazer, família, alta performance no trabalho, cuidar de si mesmo, cuidar dos outros, praticar esportes e se alimentar bem sem esforço. As redes sociais são uma vitrine da vida que nem sempre mostra a verdade.

No ímpeto de nos encaixarmos nesse mundo, estamos sempre muito atarefados(as), cheios de pendências e buscando a perfeição. A partir daí, passamos a nos cobrar o tempo todo, até que nossa cabeça fica saturada e nos sentimos exaustos.  

Existem dois aspectos da autocobrança em jogo aqui: o primeiro, da busca da perfeição para apresentar ao mundo ou pelo menos para nos igualarmos ao que acreditamos que nossos amigos (físicos ou virtuais) esperam de nós. O segundo, quando assumimos tarefas e obrigações que não deveriam ser nossas, mas que aceitamos fazer, conscientemente (ou não). E junto aceitamos as críticas por nem sempre fazermos essas tarefas da maneira — ou com a presteza — que seus reais responsáveis gostariam.  

Mas porque entramos nesse jogo? Pessoas são motivadas por 6 grandes necessidades, que estão na base de nossas decisões (ou na falta de decisão): 

  1. Segurança: é a necessidade de estabilidade, de conforto, previsibilidade, consistência e controle
  2. Liberdade: necessidade de variedade, desafios, aventuras, novidades e mudanças
  3. Significado: necessidade de um sentido, um senso de importância, de ser merecedor e especial
  4. Conexão: necessidade de união com outros seres humanos, ser aprovado, sentir-se amado e em conexão com outras pessoas
  5. Crescimento: necessidade de desenvolvimento emocional, intelectual e espiritual
  6. Contribuição: necessidade de cuidar, proteger e servir aos outros, de ajudar ao próximo

Estamos sempre procurando satisfazer essas necessidades, nem sempre de maneira saudável e equilibrada. E é bem fácil de perceber que tentar ser perfeito e assumir obrigações de outras pessoas atende pelo menos 3 dessas necessidades: significado, conexão e contribuição. Mas equilíbrio é sempre fundamental, atender alguns aspectos e não outros sabota sua saúde e bem estar.

Então vamos primeiro parar de nos sobrecarregar com tarefas e cobranças que não são de nossa responsabilidade. Distribua as tarefas domésticas entre todos da casa, repasse aos colegas partes dos projetos da equipe, não aceite que seus colegas lhe repassem obrigações que eles podem assumir porque você gosta que dependam de você.

Nos sobrecarregamos e uma hora o nosso corpo responde, gerando dores, doenças, vários sintomas. O cansaço excessivo e o desânimo são sinais de que há algo errado. Então, delegue mais, permita que as pessoas façam a parte delas e aceite suas limitações. As pessoas, quando são provocadas a fazerem seu melhor, se superam e crescem, e isso torna você um líder respeitado, admirado, inspirador. O que, basicamente, atende às mesmas necessidades que eram atendidas assumindo tudo aquilo que você tentava assumir. 

Depois de repassar o que não era realmente seu, pegue suas responsabilidades e defina prioridades. Escreva em um papel, verifique o que é urgente, importante ou os dois. O restante, deixe para outras pessoas ou para quando você tiver tempo sobrando. Só o ato de escrever tudo o que temos que fazer, já nos traz alívio, organiza e desanuvia nossa mente. Nós pensamos demais no que temos para fazer porque temos medo de esquecer. Então use e abuse dos post-its e da boa e velha agenda de papel (a agenda do celular também serve). 

Quanto à autocobrança da perfeição para apresentar ao mundo externo, ela também está baseada nas necessidades de significado e conexão. Basicamente, queremos ser reconhecidos como iguais. Mas a maioria das pessoas não publicam nas redes sociais quando procrastinam, ou estão de mal humor, ou se sentem sozinhas; não mostram ao mundo suas falhas, dores e limitações. Então, tendemos a também não publicar. Como mostrar que estamos tristes ou temos dificuldades quando a maioria de nossos amigos parecem tão felizes e autoconfiantes?  O segredo aqui é mais e mais autoconhecimento. Aprender sobre si mesmo, seus limites, suas emoções, seus valores pessoais, o que você quer informar ao mundo que seja verdadeiramente você.

Somos seres humanos, sujeitos a erros, mas também criativos e inovadores. Passíveis de mudanças e renovações. Encontrar o equilíbrio entre todos esses fatores para ajustar a autocobrança pode parecer um grande desafio, mas é essencial para que possamos viver melhor, em paz conosco e com o mundo ao nosso redor. Basta que algo — quem sabe um texto sobre o assunto — nos coloque na direção certa para encontrarmos o caminho. 😉

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.