Culpa x Perdão: equilibre sua balança emocional

Que atire a primeira pedra quem nunca se arrependeu de alguma ação ou falta de ação, alguma coisa que disse ou não disse, algum julgamento duro que expressou antes de ter acesso aos fatos. Quem não se sente mal, envergonhado, todas as vezes que lembra do que fez (ou deixou de fazer). Culpa é um sentimento negativo: ela nos prende a uma situação, não nos deixa viver o presente, nos paralisa. E, muitas vezes, a culpa traz junto a vergonha, impedindo inclusive que se peça perdão, que se corrija de alguma forma o que foi feito. Durante meses, anos, décadas ficamos revivendo acontecimentos e a vida não anda.

Muitas vezes, é esse misto de culpa e vergonha que impede a pessoa de agir diferente, de se responsabilizar pelos seus erros. A pessoa acaba vivendo com a culpa e com a dor de ter machucado alguém de alguma forma. Só que essa autopunição não resolve nada, exceto talvez para justificar a si mesmo o fracasso nos relacionamentos, na área profissional, familiar, no cuidado com o próprio corpo e mente.

Para completar, a culpa traz sentimentos de não merecimento e inconscientemente a pessoa passa a se sabotar. Isso acontece porque a pessoa julga e condena a si mesma, colocando o foco em suas características negativas e, sempre, na sua crença de não merecimento. Assim, cada vez que a vida traz oportunidades de sucesso, essa pessoa recua, dá um passo atrás, desiste.

Aceite: você não conseguirá ser perfeito. Ninguém consegue. Somos seres humanos e essa é uma característica inerente. Pense bem, aprendemos a andar em torno de 1 ano de idade… e continuamos tropeçando não interessa nossa idade e quanta ‘experiência’ temos caminhando. Erros acontecem, é preciso aprender com a situação. O que não se pode fazer é continuar repetindo os mesmos erros, e se isso acontece, precisamos entender o que leva a pessoa para aquele comportamento repetitivo antes de qualquer outra ação.

Mas não adianta só entender racionalmente que podemos errar, é preciso se perdoar. O perdão é, talvez, a única força que pode curar essas feridas e permitir que a vida flua novamente. Já existem estudos de neurociência sobre a mudança na estrutura do cérebro pelo perdão, gerando processos curativos. O perdão começa na decisão de se libertar dos sentimentos negativos, é uma fase mais intencional e tem que ser relembrada constantemente. Com o tempo, e só o tempo, esse perdão passa a ser emocional. É quando não mais nos sentimos mal e passamos a sentir amor por nós mesmos e passamos a nos considerar merecedores de uma vida plena.

Uma dica aqui é lembrar quais as capacidades e forças internas faltaram naquele momento e que você é capaz hoje de exercer, lembrando também que o estado emocional pode bloquear a utilização dessas forças e que, se o motivo da culpa é muito antigo, pode ser que você ainda nem tivesse essas capacidades.

Outra dica: assuma sua responsabilidade. Se alguém foi ofendido ou prejudicado, peça perdão. Se a pessoa não está mais entre nós, mentalize esse pedido, ou visualize a si mesmo pedindo perdão. Confesse, se desculpe, repare seu erro, sempre que possível. Independente de suas crenças, essa atitude por si já traz os sentimentos de liberação da culpa. Mas também avalie sua parcela de responsabilidade, se teria sido possível agir diferente na situação. Às vezes, sentimos culpa por algo que não tínhamos controle nenhum; às vezes, nossa culpa é limitada e dividida. Só que não caia na tolerância, nas justificativas: perdoar a si mesmo é se reconciliar consigo, recuperar seu poder e não se punir eternamente pelos erros cometidos.  

Todos nós estamos aqui nos superando a cada momento. Isso vale para você também. Do que você precisa se libertar? Sentimentos como raiva, mágoa e ressentimento geram um desequilíbrio no corpo e mente. Quando direcionados a nós mesmos, esse desequilíbrio é ainda pior. O sentimento de culpa pode se tornar um abismo sem fim. Seja gentil consigo mesmo quando estiver em sofrimento, aceite as experiências negativas e positivas, lembre-se que todos somos humanos, erramos, sofremos e somos vulneráveis. E tome a atitude de corrigir seu possível erro. Mas se não conseguir sozinho, sempre busque ajuda. 😉

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.