Procrastinação e a tendência que temos de desperdiçar tempo

Recentemente tive uma conversa interessante com uma cliente: “Você acredita que o tempo está passando mais rápido?” foi a pergunta inicial. “Bem, é natural que, à medida que vamos ficando mais velhos, nossa percepção do tempo mude um pouco.”, respondi. Mas ela continuou falando: “Li que os dias agora têm o equivalente à 16 horas do início do século”.

Perguntei onde ela tinha lido aquela informação e a resposta: “No Facebook”. Eu tenho uma forte tendência a cientificidade e confesso que fui buscar algo nesse sentido, até por curiosidade, e sinto informar, mas nem os relógios atômicos mais precisos do mundo mostram alguma aceleração do tempo.  

Mas, convenhamos, este é um assunto recorrente. Muitas pessoas reclamam da falta de tempo, de não conseguirem cumprir suas tarefas, de estarem sempre com suas metas e objetivos atrasados por falta de tempo. O dia passa e não marcaram a consulta no médico, não planejaram suas férias, não fizeram aquela ligação para quem queriam. Às vezes, não conseguem nem cumprir seus compromissos profissionais. 

E quando cada dia passa sem que você consiga cumprir esses pequenos objetivos, passam-se as semanas, passam-se os meses… o ano está entrando em seu último trimestre e nada realmente mudou… seu sonho ainda é só isso, um sonho, que está só na sua mente. E, como vimos, a culpa não é do tempo que está passando mais rápido, né?!

Existem muitas técnicas de gerenciamento de tempo, para diminuir a procrastinação, controlar a ansiedade (que faz com que a produtividade diminua). A PNL tem inúmeras ferramentas para isso. Mas é importante também entender o que gera essa percepção de que somos incapazes de gerenciar nosso tempo com eficiência.

Vamos tentar entender: a mente funciona por comparação e modelagem, ou seja, comparamos onde estamos com onde queremos estar e usamos outras pessoas como modelos para trilhar esse caminho. As primeiras pessoas que modelamos (inconscientemente) são nossos pais. Lembramos que voltavam para casa final de tarde e ficavam vendo TV, que não trabalhavam até tarde da noite, conseguiam ler o jornal pela manhã durante o café, ou seja, imaginamos uma vida bem mais tranquila e nos perguntamos o que aconteceu conosco que simplesmente não temos tempo para essas coisas.

Porém, esquecemos de levar em conta que, se eles liam jornal, nós temos internet e redes sociais na palma do mão o tempo todo, com conteúdo mais chamativo, atualizado, e acesso imediato a uma quantidade praticamente ilimitada de informações. Se eles assistiam novelas em 2 ou 3 canais de televisão, nós temos acesso aos serviços de streaming, cada um com centenas de séries, documentários e filmes para vermos quando e onde quisermos. Eles telefonavam para saber o que estava acontecendo com os amigos, nós mandamos mensagens para os grupos de Whatsapp ou ficamos vendo fotos nas redes sociais… com a tecnologia, os velhos hábitos se modernizaram.

Porém, o que torna a vida mais prática também pode se tornar um problema se passarmos tempo demais “presos” nesse maravilhoso mundo digital. Todos esses estímulos externos ficam ali pertinho, no seu bolso. E, devemos considerar que esse acesso todo à informação nos coloca diante de pessoas de alta performance, pessoas que expõem vidas intensas nasredes sociais e parecem conseguir fazer tudo, aumentando nossa ansiedade e a percepção que o “nosso” tempo está acabando quando na verdade, ele segue o mesmo ritmo para todos. É só que alguns sabem tirar melhor proveito disso, outros não.  

Então, vamos às dicas que separei para você conseguir administrar melhor o seu tempo:  

  1. Separe um tempo na noite anterior para listar os compromissos pessoais e profissionais do dia seguinte. Lembre de adicionar até mesmo horários de leitura e aprendizado, tarefas diárias, atividades físicas e tudo mais que um dia produtivo deveria ter no seu entendimento. Programe alarmes no seu celular referentes a cada item, nos horários que estão previstos. Lembre-se de deixar pelo menos um momento de lazer, de relaxamento — mesmo que esse lazer sejam joguinhos ou redes sociais. (Dica pessoal: adicione ao lado de cada tarefa porque ela é importante para você, que valor ou necessidade pessoal ela traz embutida. Por exemplo, digamos que você inclua meia hora para ler um livro ou texto sobre mentalidade; ao lado você poderia anotar algo como “performance pessoal”.
  2. Para procrastinação, em um nível mais racional, sugiro a técnica do doberman: ela consiste em arrumar alguém com quem se comprometer para aquela tarefa que é sempre procrastinada. Eu mesma uso essa técnica para as redes sociais — tenho alguém que escolhe as imagens e publica para mim. Tenho um horário a cumprir, senão iria ficar envolvida com clientes, livros, família, até que o dia passava e eu não publicava nada. O mais importante aqui, antes de usar a técnica, é entender o motivo mais profundo da procrastinação: que valores pessoais ou crenças limitantes estão envolvidas nesse processo de “deixar para depois”.
  3. Defina metas de médio e longo prazo. Coloque essas metas em termos positivos, pense em quem se beneficiará (além de você mesmo), caso alcance esse desejo, defina como você irá se sentir, o que irá falar sobre e para si mesmo, como será esse ambiente onde você já alcançou seus objetivos. Inclua alguns minutos imaginando essa realização entre aqueles alarmes que escrevi no primeiro item. 
  4. E, finalmente, sentir ansiedade é um estado mental causado por estar focado no futuro, criando mentalmente um cenário negativo, reforçando cada possível barreira, imaginando tudo dando errado. A solução mais efetiva para ansiedade está em viver no presente. Além da própria hipnose e PNL, oriento meus clientes a praticarem meditação e técnicas mindfulness (técnicas práticas que ajudam a se focar no momento presente, deixando passado, futuro e possíveis distrações para lá). Voltar sempre ao momento presente quando se descobre imaginando um futuro incerto e nebuloso é o segredo.  

Então, pare de culpar o relógio. Não, o dia não mudou de tamanho, e as horas continuam passando na mesma velocidade. Nós é que estamos distribuindo generosamente o tempo, esse ativo muito precioso, em atividades que não parecem tão importantes assim para nossa mente, já que ela sequer registra o tempo gasto nessas atividades.

A internet, as redes, os aplicativos de mensagens, etc., todos têm valor — nos ajudam de formas variadas, e nos permitem ter acesso a uma quantidade absurda de informação, nos permitem nos conectarmos com pessoas de outras partes do mundo, colocam informação e lazer ao alcance de nossos dedos… mas tudo isso só tem valor se usado com racionalidade.

Então, reflita: em que você está distribuindo parte da sua vida?

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.