Pequenos traumas e grandes limitações

Se você já viveu um acontecimento traumático sabe como é: inesperado e dramático, nos sentimos sozinhos no mundo e sem ter a mínima ideia do que fazer a respeito. O corpo também responde ao trauma redirecionando o sangue para onde é mais necessário, liberando hormônios, se preparando para correr, lutar ou travar, o estômago fica apertado, a visão fica mais aguçada, as mãos ficam geladas. Sentimos a vida em perigo real ou, no mínimo, ameaçada. A intensidade das reações pode variar com a intensidade do perigo percebido, mas basicamente é sempre assim.

Quando o evento traumático passa, como tudo um dia passa, o subconsciente entra no automático para curar o corpo e assegurar a sobrevivência. Mas a mente não se cura com a mesma facilidade, e fica um gatilho que é acionado por qualquer razão (até tola) e todo processo do trauma é revivido, impactando o corpo físico e mental, gerando doenças como câncer ou fobias.

Infelizmente acreditamos que traumas são só aqueles nos quais existe surpresa e risco de vida, mas existe um tipo de trauma que pode causar ainda mais dano no longo prazo: as frases e comentários sobre nós feitos sem cuidado por pessoas a nossa volta.

Não sei você, mas eu passei a infância e a adolescência ouvindo sobre o que eu não fazia bem, ou não fazia o suficiente, sobre meus erros e defeitos. Os motivos eram variados, mas a bronca era diária. Todos os dias eu me sentia sozinha e sem saber como resolver meus erros… reconhece as características de um trauma? Se identifica com a situação?

Para entender como essa experiencia diária interfere em nossas limitações e potencialidades, é importante entender que aprendemos de duas maneiras: pela repetição e pela emoção. Quanto maior a emoção envolvida em um acontecimento, maior a probabilidade de que fique marcado para sempre em nossa memória. Isso vale também para o número de repetições, quanto mais repetem que não somos capazes — ou outro comentário qualquer –, mais acreditamos nisso. E assim, nosso sistema de crenças se forma desde a infância, repleto de “não pode”, “não é capaz”, “isso é para quem é grande”, “isso é só para quem é rico”, “você não merece”.

Como mudar isso, como passar a acreditar ser capaz de tudo aquilo que você deseja para si? Nossas crenças a respeito de nós mesmos e do mundo são a base de nossos comportamentos, e nossos comportamentos alteram o ambiente no qual vivemos. Você pode entender melhor pensando em um escritório onde o supervisor é mal-humorado e retraído, versus outro onde o supervisor é acolhedor e ensina seus colaboradores. Qual você acha que terá profissionais mais felizes, abertos e colaborativos?

Se queremos uma vida melhor, precisamos ajustar nossas crenças. Podemos fazer isso analisando quais dos nossos valores pessoais são mais importantes e coerentes com quem queremos ser. Quem dizemos que somos ou queremos ser é nossa identidade, e uma mudança em quem acreditamos ser muda toda nossa realidade. Mais acima ainda, nessa pirâmide de níveis de importância na construção de nosso mundo, está o propósito de vida, aquilo pelo que você quer ser lembrado.

Minha dica para superar todas as limitações que esses pequenos e grandes traumas geram na gente é escolher um objetivo para sua vida que esteja além de você mesmo, que faça uma diferença positiva para a vida de outras pessoas, que faça você sorrir só de pensar naqueles que você vai impactar na medida que alcança esse propósito. E sempre repita consigo: “Eu posso, eu sou capaz (lembrando todas suas habilidades) e eu mereço (lembrando porque você merece)”.

Vamos testar? 😉

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.