As dores físicas da mente

A sessão tinha sido ótima, o cliente estava respondendo muito bem à hipnoterapia tanto com resultados em seu comportamento quanto com a facilidade de entrar em estado hipnótico. Tudo terminado, pergunto como ele estava se sentindo e como tinha sido o processo e ele me surpreende: “Foi ótimo, estou me sentindo muito bem, só que minhas costas estão doendo muito hoje. Mesmo assim, consegui entrar na indução, só mesmo no começo que atrapalhou”.

Nada estranho, exceto que vários clientes reclamam de dores sem uma causa física específica, mas quando trabalhamos seu aspecto mental, a dor melhora ou até desaparece. 

Nós temos uma tendência a ignorarmos dores físicas e até a nos acostumarmos com elas — assim como nos acostumamos com muitas das dores emocionais — e até encontramos culpados: o colchão, a falta (ou o excesso de exercício físico), um mau jeito passageiro, a idade, e por aí vai. Só que nenhuma dessas dores é natural e muitas vezes elas são a maneira que nosso subconsciente encontrou de nos proteger ou nos avisar que algo está errado. E daí podemos “conversar” com nosso sintoma e tentar entendê-lo. 

A primeira vez que ouvi falar nesse diálogo, assim racionalmente falando, foi no curso de Programação Neurolinguística, módulo de Saúde. Confesso que internamente dei uma risadinha. Entenda, eu já praticava meditação há muitos anos e já tinha feito algumas sessões orientadas em dores físicas nas quais elas se dissolviam, energizavam, eram retiradas da região afetada… mas a verdade é que ela — a dor — sempre voltava. Era na região lombar, próxima do quadril. Eu já tinha investigado, mas não havia uma causa diagnosticável claramente. Podia aparecer quando eu corria muito ou pouco, não doía na corrida, as vezes piorava por semanas e depois passava quase completamente. Ou eu dormia bem e acordava mal — o que me fez culpar o colchão, claro. Cheguei a acreditar que andava inclinada ou tinha má postura, fiz fisioterapia, tratamento de osteopatia e quiropraxia. Resolvia por semanas e voltava.

Então, quando fomos fazer a parte prática da aula, trouxe esse sintoma para trabalhar. Meu colega começou a técnica e internamente eu perguntava a mim mesma se o sintoma iria “responder” alguma coisa, tinha certeza que não iria “ouvir” nada. Mas, imbuída do propósito da aprendizagem, entrei no processo e, para minha total surpresa, o sintoma “respondeu” claramente. Lógico que dentro da técnica existe uma parte em que se constrói um melhor processamento mental daquilo que causa o sintoma, o que permite a solução de mais longo prazo. E, eventualmente, se a questão emocional já gerou um sintoma físico mais sério, há necessidade de resolver isso com medicação ou fisioterapia. Mas no meu caso, o sintoma foi lentamente desaparecendo e hoje, quando surge, já sei que estou entrando em um processo de não acreditar na minha capacidade de alcançar algo que me propus. 

Já usei a técnica até para uma virose que me deixou de cama e assim que consegui trazer para o consciente aquilo que o subconsciente transformou em doença, a virose sumiu quase automaticamente. Sei que alguns dirão que virose se cura sozinha, mas a imunidade tem uma relação bem forte com nossos estados mentais. Quando estamos bem, temos mais força e energia física, dificilmente ficamos doentes e dores musculares são mais raras. Alguns dados sugerem que 80% das doenças têm componente psicológico relacionado. E o primeiro passo é entender nosso sistema de crenças, como nosso subconsciente está escolhendo expor no físico nessa crença e qual a crença a ser ajustada para que dores e doenças sejam curadas definitivamente.  

Minhas dicas pessoais são: 

  1. Pense no sintoma e estabeleça o propósito de esclarecer qual o componente emocional correlacionado.
  2. Faça uma meditação (que pode ser guiada) ou apenas uma concentração na própria respiração por pelo menos 5 minutos. Você pode fazer isso observando o caminho do ar desde as narinas até os pulmões e vice-versa, sentindo todos músculos envolvidos.
  3. E se vier um insight a respeito do sintoma, faça as pazes com esse estado mental.

Por último, mas não menos importante, sempre esteja aberto a buscar ajuda quando sentir que precisa! 😉

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.