De quantas maneiras você bloqueia sua vida?

Você já se pegou recusando a ajuda de alguém só porque não queria parecer fraco? Ou mesmo fica se perguntando se essa pessoa — que não sua mãe nem seu pai — está esperando algo em retorno que você pode não estar disposto a dar? Quantas vezes você ergueu um escudo assim que conheceu uma nova pessoa? E quantas vezes você apelou para estratégias como fazer piadas de tudo, posar de pretensioso ou simplesmente mentiu dizendo que não queria incomodar e estava tudo bem quando na verdade não estava?

Eu conheço quase todas essas estratégias para bloquear pessoas e seu auxílio. Conseguia sentir no corpo essa barreira se erguendo enquanto aprumava a coluna, andava mais rápido, ficava mais séria. A mente começava a funcionar mais rapidamente também, analisando tudo o que a outra pessoa estava falando… e julgando.

A ficha caiu quando bati meu carro e um amigo me ofereceu outro para que eu utilizasse enquanto o meu estava no conserto. Recusei imediatamente; só para ficar depois pensando várias adaptações que teria de fazer na agenda e me perguntando o porquê de ter recusado. Lógico que dá para ficar sem carro, talvez até descobrisse uma nova forma de me organizar, mas a verdade é que recusei sem nem pensar. Simplesmente reagi, como sempre fazia.

Muitas pessoas tiveram vidas de luta, a cada passo do caminho eram desafiados com novas situações, rompimentos, tristezas, fracassos. No trabalho mental para se proteger de mais dor, de mais fracasso, essas pessoas passam a acreditar que não são merecedoras de algo melhor. Neste processo, criam barreiras para que ninguém realmente perceba suas fragilidades, para que nada atinja seu interior, já tão calejado. Elas começam a jogar seguro: ficam em relacionamentos mais ou menos, em empregos mais ou menos, se divertem mais ou menos, têm vidas seguras e… mais ou menos. E pior, elas limitam seus propósitos, que se tornam sonhos mais ou menos.

Até dá para entender. Depois de muitas decepções, nossa mente inconsciente passa a tomar as rédeas de nossas atitudes e comportamentos, para que não possamos mais sentir essas dores emocionais. E daí… a vida fica nesse mais ou menos. Operando nesse modo de segurança, que não nos permite arriscar, trabalhar em nossa real vocação, buscar um relacionamento feliz e pleno, ou qualquer outro desafio que esteja além da zona de conforto.

Quebrar esse padrão de comportamento pode parecer muito difícil, mas o primeiro passo é simples: atenção ao comportamento automático de bloqueio para com as pessoas que vão ao seu auxílio, ou lhe oferecem presentes e elogios. Quando se pegar repetindo o padrão, pare e observe a si mesmo, como está seu corpo. Em quê exatamente você pensou quando a situação ocorreu? Você montou alguma imagem mental ou lembrou de algo específico?

Outra dica é, conscientemente, perdoar todas as pessoas e circunstâncias que fizeram essas barreiras crescerem em você. E não esqueça de perdoar a si mesmo por impor esses bloqueios, que foram criados pelas circunstâncias de sua vida. Perdoar não é esquecer, é deixar ir embora aquilo que não faz mais sentido.

Um dos pressupostos da Programação Neurolinguística diz que todos temos acesso a todos os recursos internos necessários para vencer qualquer desafio, o que quer dizer que temos dentro de nós as capacidades e habilidades necessárias. Isso é uma crença da PNL, que também diz que ‘tudo onde colocamos o foco, aumenta’.

Então, que tal começar a perceber a melhor versão das pessoas que estão à sua volta? Encontrar as lições aprendidas em cada situação difícil que viveu? Que tal baixar um pouco esse escudo e ver, ouvir ou sentir tudo o que a vida traz de possibilidades a cada momento? 🙂

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.