Solitude, o estado de plenitude

“Nossa linguagem sabiamente percebeu os dois aspectos do homem estar sozinho. Criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho. Embora na vida cotidiana nem sempre diferenciemos essas palavras, devemos faze-lo consistentemente e, assim, aprofundar nossa compreensão da natureza humana.” (Paul Tillich, teólogo alemão)

Somos seres gregários, criados para andar em grupos. Desde a infância, quando a família é a nossa segurança, buscamos nossos iguais. E assim seguimos na escola, no trabalho, com os amigos e por aí vai. Passamos boa parte de nossa vida procurando parceiros para diversos tipos de relações e aprendemos muito sobre nós mesmos com isso. Muitas pessoas definem a si mesmas como pais, mães, filhos, líderes ou liderados, considerando que tais relações apontem um lugar na sociedade e, consequentemente, sua importância. Mas a realidade é que somos apenas o próprio corpo e mente. Parte de algo maior até, mas com consciências individuais… e isso, às vezes, é assustador. Mas como alcançar a solitude?

A percepção de estarmos sozinhos contrapõe valores pessoais universais e profundos, os de segurança, pertencimento e amor. Vai contra toda a programação que recebemos desde que nascemos, daquela necessidade de ter sempre alguém para nos sentirmos amados e merecedores de amor próprio.

Valores, crenças e identidade em cheque. Não é de se estranhar que, quando sozinhos, sentimos a dor intensa da solidão. Para completar, nesses momentos de silêncio externo, nossos pensamentos e sentimentos que estavam abafados pela agitação das inúmeras pessoas a nossa volta, surgem com força total. Então, sozinhos e sem validação externa de nossa identidade ou importância, precisamos buscar internamente a solução para nos sentirmos completos, independentemente da situação externa.

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O primeiro desafio da solidão é diminuir a velocidade dos pensamentos até descobrir seu silêncio interior e, consequentemente, o aqui-agora, ou seja, o momento presente. Eu aprendi, por experiência própria que, dentro desse estado de presença, existe uma grande energia que acalma, renova, diminui a ansiedade e, inclusive, o medo da solidão.

O segundo desafio é se descobrir e gostar do que encontra. Agimos de maneira tão automática que não conhecemos todas as nossas potencialidades. Com isso, a tendência é amplificar a percepção de pontos negativos, diminuindo habilidades e capacidades, como se tudo fosse uma mera obrigação. A melhor maneira de virar o jogo é com a meditação ou a interiorização, técnicas que priorizam sensações e sentimentos.

Nas palavras do Tillich, solitude é a plenitude de estar sozinho, um estado mental que é alcançado pelo autoconhecimento, autoestima, percepção e acolhimento de quem somos, do momento em que vivemos e na busca de viver intensamente o presente.

Podemos dizer que, estar em solitude, é um estado no qual estar cercado por pessoas é ótimo, mas ficar sozinho também. Valorizamos momentos de silêncio interno, ruído externo, desenvolvemos a capacidade de olhar para o que está fora sem deixar que isso abale nossa força interior. Assim, os desafios só consolidam a capacidade de buscar essa plenitude sempre que necessário.

Não vou dizer que é fácil alcançar chegar a solitude. Vivemos em um mundo que se move rapidamente, cheio de mudanças em situações que pareciam estabilizadas e nos desafia a ser perfeitos. Ainda assim, escolher trilhar o caminho de estar bem em sua própria companhia é gratificante, estimulante e extraordinário.

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ROSANE SAMPAIO

ROSANE SAMPAIO

Especialista em coaching pessoal, profissional, executivo e de equipes. Palestrante, analista comportamental e hipnoterapeuta, com qualificação de practitioner em Programação Neurolinguística.